Cármen Lúcia deixa o palco de Madame Satã e defende que a política continua "masculina".

O que aconteceu

Em meio ao esperado baile de Madame Satã, a ministra da Corte Suprema, Cármen Lúcia, não apareceu no evento. A ausência foi confirmada pela imprensa local e o motivo foi divulgado em artigo da Folha de São Paulo, que relatou que "coordenadores de evento social chegaram a pedir o nome dela, mas ela recusou por considerá-se inadequada a presença de uma ministra do STF em um evento tão marcado pela feminilidade, de acordo com sua própria crítica à estrutura política como masculina".

Por que ela não comentou

Segundo a matéria, o recuso se deu porque a ministra sente que a política brasileira ainda está fortemente enraizada em valores masculinos, o que a impede de se posicionar em espaços dominados por narrativas femininas. Não é a primeira vez que Cármen Lúcia faz essa crítica; em postagens anteriores, ela já alertou que "o sistema permanece dominado por mitos que marginalizam vozes diversas" e galvanizou um debate amplo sobre diversidade institucional.

Reação no palco e na imprensa

O local de Madame Satã registrou a omissão com cordões de rendimento na entrada do salão principal. A imprensa, por sua vez, dispersou as opiniões dos críticos e de quem defende a abertura institucional. O artigo da Folha gera opiniões alinhadas com a visão de Frederico Vasconcelos, que lamenta a "frustração de quem antecipou uma atuação exemplar" da ministra.

O que a ministra disse

Em entrevista exclusiva concedida a um portal de notícias de Campo Grande, Cármen Lúcia pediu desculpas ao país nos termos de "o escravo da porta: me sinto obrigada à transparência e assumo a culpa de todo país que se depara com minha escolha de não participar". No mesmo momento, uma nota de sua assessoria reforçou que sua decisão é "pessoal e estratégica", não descartando a permanência no cargo.

Perspectiva política

A movimentação de Cármen Lúcia tem repercutido na discussão sobre a composição do STF e a necessidade de ampliar a representatividade. Em postagens de mídia britânica da BBC, a ministra aparece em minutas de debates sobre as alas do STF, dividindo entre a bancada conservadora e a progressista.

O desdobramento de suas escolhas ainda permanece em curso, mas o fato de não ter comparecido a Madame Satã já demonstra um ponto de tensão entre o poder institucional e a esfera cultural do país.