Na segunda‑feira, 26 de outubro de 2026, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimentou os mercados: o dólar comercial subiu 9,18% para R$ 5,451 na venda e o índice Ibovespa caiu 17,34%, atingindo 169.516,43 pontos, o maior recuo intradiário desde março de 2020.

O mercado reagiu à vitória de Lula com alta do dólar e queda acentuada do Ibovespa.

Queda da Bolsa e acionamento do circuit‑breaker

B3 acionou o circuit‑breaker logo na abertura do pregão, suspendendo as negociações por 30 minutos após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação ao fechamento anterior. Foi o primeiro acionamento do mecanismo desde março de 2020. A queda chegou a 17,34% na mínima do dia, mas se reduziu para 14,14% por volta das 13h.

Alta do dólar e impacto nas commodities

O dólar à vista operava com alta de 9,18% às 14h47, cotado a R$ 5,451 para venda, enquanto o contrato futuro de novembro subia 12,58%, a R$ 5,600. O dólar comercial subia 8,78% às 12h53, cotado a R$ 5,4316 para venda. As taxas dos contratos futuros para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 estavam acima de 15% ao ano.

Nos mercados globais, os contratos futuros de soja em Chicago caíram mais de 2%, enquanto o açúcar recuou mais de 6% e o café arábica mais de 2% nas bolsas ICE. O dólar mais forte frente ao real torna os produtos brasileiros mais acessíveis para compradores no exterior.

IndicadorValor
Dólar à vista (venda)R$ 5,451
Dólar futuro nov/2026R$ 5,600
Ibovespa (mínimo)169.516,43 pts
Queda Ibovespa (pico)17,34%
Soja (futuros)-2%
Açúcar (ICE)-6%
Café arábica (ICE)-2%

Contexto político: vitória de Lula e reação de Flávio Bolsonaro

O presidente Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, obtendo cerca de 64 milhões de votos. Seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, recebeu 48,21% e declarou que não reconhece o resultado, prometendo pedir a anulação: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto que as coisas aconteceram. Vamos pedir a anulação”.

Análises de especialistas

Felipe Balassiano, head de multimercados da ASA, afirmou que “O mercado não estava posicionado para este desfecho.” Gustavo Sung, economista‑chefe da Suno Research, disse que trabalhava com um leve favoritismo de Flávio. William Castro Alves, estrategista‑chefe da Avenue, destacou que a condução das contas públicas será determinante para os ativos brasileiros. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, apontou que o resultado representou “uma mudança importante na percepção de risco do mercado brasileiro”. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, observou que o mercado vinha incorporando a possibilidade de mudança na condução da política fiscal.

Próximos passos

A B3 ampliou os limites de oscilação dos contratos futuros de Ibovespa, passando o limite inferior de -10% para -15% e depois para -20%. O Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos públicos. Os investidores deverão observar as reações do governo nas áreas fiscal e monetária.