Pesquisadores brasileiros e internacionais divulgaram, nesta terça-feira (13), três avanços que podem transformar a forma como a endometriose é diagnosticada e tratada. Estudos apontam que o sangue menstrual pode servir como ferramenta diagnóstica, o dispositivo intrauterino (DIU) hormonal tem eficácia no alívio dos sintomas e testes de saliva e sangue estão em fase de desenvolvimento para detectar a doença sem necessidade de cirurgia.

Sangue menstrual como ferramenta diagnóstica

De acordo com o portal Medscape, publicado em 12 de outubro, o sangue menstrual contém marcadores biológicos capazes de indicar a presença de endometriose. A pesquisa analisou amostras de mulheres com diagnóstico confirmado e identificou padrões específicos que diferem de amostras de mulheres sem a doença. O estudo sugere que a coleta do próprio fluxo menstrual pode substituir, em parte, procedimentos invasivos como a laparoscopia, reduzindo custos e desconforto.

DIU hormonal no tratamento da endometriose

A Gazeta divulgou, também em 12 de outubro, uma revisão sobre o uso do DIU hormonal como opção terapêutica. O dispositivo libera levonorgestrel, um hormônio que suprime o crescimento do tecido endometrial fora do útero, aliviando a dor pélvica crônica e diminuindo a necessidade de intervenções cirúrgicas. Segundo especialistas citados, pacientes que adotaram o DIU apresentaram melhora significativa nos sintomas e menor taxa de recorrência da doença.

Especialistas apontam que o uso do sangue menstrual pode reduzir a necessidade de cirurgia para diagnóstico.

Testes de saliva e sangue em busca de diagnóstico não invasivo

A Folha de S.Paulo, em 10 de outubro, trouxe informações sobre projetos que avaliam a eficácia de testes de saliva e sangue para detectar endometriose. Os pesquisadores estão identificando proteínas e micro-RNA associados à doença, que podem ser medidos em laboratório com técnicas já disponíveis na maioria dos serviços de saúde. Embora ainda estejam em fase experimental, esses testes prometem facilitar o acesso ao diagnóstico precoce, sobretudo em regiões onde a cirurgia laparoscópica ainda é escassa.

O que isso significa para as pacientes

Essas três iniciativas convergem para um objetivo comum: facilitar o diagnóstico e melhorar a qualidade de vida das mulheres que convivem com endometriose. A possibilidade de usar o próprio sangue menstrual como amostra elimina barreiras logísticas e reduz o tempo de espera por um diagnóstico definitivo. Por sua vez, o DIU hormonal aparece como uma alternativa menos invasiva e com efeitos colaterais controlados, ampliando as opções de tratamento para quem não deseja ou não pode passar por cirurgias. Por fim, os testes de saliva e sangue podem democratizar ainda mais o acesso ao diagnóstico, permitindo que a doença seja identificada em estágios iniciais, quando o tratamento tem maior chance de sucesso.

Próximos passos

Os estudos ainda estão em andamento e exigem validação em larga escala antes de serem incorporados às diretrizes clínicas. Autoridades de saúde brasileiras, como o Ministério da Saúde, deverão acompanhar os resultados e, se confirmados, incluir essas metodologias nos protocolos de atenção à saúde da mulher. Enquanto isso, pacientes e médicos são encorajados a discutir as novas opções disponíveis, avaliando benefícios e limitações de cada abordagem.