Presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou nesta terça‑feira (20) que empresas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro teriam relação com o esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, leu nesta terça‑feira (20) uma carta assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a proposta de abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos à Presidência.

A carta menciona a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda., administrada pela família Bolsonaro, registrada no mesmo endereço da sede de uma empresa associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Também cita a Alcazar Holding, empresa offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, administrada pelo advogado Willer Tomaz, na qual Flávio Bolsonaro aparece como usuário master.

O esquema de fraudes resultou em perdas superiores a R$ 86 milhões.

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia à Justiça Federal contra 35 investigados por movimentar ilicitamente mais de R$ 86 milhões por meio de cadastro e recebimento indevido do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) em Minas Gerais. Foram identificados 457 benefícios fraudulentos, dos quais 240 ainda estavam ativos, evitando um prejuízo futuro estimado em R$ 34,8 milhões aos cofres da Previdência Social. A denúncia reclassificou os responsáveis como integrantes de organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013, e descreveu quatro eixos funcionais: Núcleo de articulação, liderança e falsificação documental; Núcleo de instrumentalização administrativa e representação; Grupo de ‘dublês biométricos’; Núcleo de sacadores e gestão financeira.

Em vídeo obtido pelo Estadão, gravado em 22 de maio de 2025, suspeitos da chamada “Farra do INSS” discutem estratégias para esconder ganhos. O imóvel filmado fica em Alphaville, bairro de luxo em Santana de Parnaíba, São Paulo, e pertence a Anderson Cordeiro Vasconcelos, um dos alvos da Operação Sem Desconto, que investigou associações que teriam desviado R$ 6,2 bilhões da folha de pagamento de aposentados.

A defesa dos empresários afirmou desconhecer os vídeos e disse que quem eventualmente vazou suas gravações cometeu crimes.

DescriçãoValor
Total estimado da fraudeR$ 86 milhões
Benefícios fraudulentos identificados457
Benefícios ainda ativos240
Prejuízo futuro evitadoR$ 34,8 milhões