Em entrevista concedida à BBC nesta sexta‑feira, 30 de outubro de 2026, Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair Alves Ferreira, dono do ferro‑velho onde a cápsula foi manipulada, reconstituiu o episódio de setembro de 1987 que se tornou o maior acidente radiológico da história do Brasil.
Como a cápsula chegou a Goiânia
A cápsula continha césio‑137, um isótopo altamente radioativo, e foi encontrada por dois catadores de material reciclável em uma clínica abandonada. Eles a venderam a Devair, que a trouxe para o seu ferro‑velho.
Propagação da contaminação
Devair ficou fascinado pelo brilho azul dos cristais e mostrou o aparelho a familiares. Seu irmão Odesson recomendou que o objeto fosse descartado, mas Devair manteve a peça. Ivo Alves Ferreira, outro irmão, levou parte do material para casa, onde sua filha de seis anos, Leide das Neves, brincou com o pó e acabou ingerindo um ovo contaminado. A menina morreu, seguida cerca de um mês depois pela tia Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair; dois jovens que trabalhavam no ferro‑velho também faleceram, totalizando quatro fatalidades.
Medição e resposta das autoridades
A esposa de Devair levou a cápsula à Vigilância Sanitária. O físico Walter Mendes Ferreira a examinou com um detector de radiação; as leituras foram tão altas que inicialmente se suspeitou de defeito no equipamento, mas um segundo aparelho confirmou o risco. As autoridades então mobilizaram mais de 112 mil moradores de Goiânia para triagem no Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira.
Números do desastre
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Membros da família expostos | 56 |
| Moradores triados em Goiânia | mais de 112 mil |
| Contaminados identificados | 249 |
| Necessitam acompanhamento permanente | 129 |
| Fatalidades diretas | 4 |
Depoimento de Odesson
Odesson contou à BBC que perdeu parte dos dedos devido à radiação.
Legado e lições
O caso ficou conhecido como “brilho da morte”.
Em retrospectiva
Em 1994, Devair Alves Ferreira faleceu; Ivo Ferreira, pai de Leide, morreu em 2003. O acidente com césio‑137 permanece como o maior desastre radiológico já registrado no país.


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