Na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, o debate transmitido pela TV Globo colocou frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para apresentar suas propostas antes do segundo turno da disputa presidencial. Ao mesmo tempo, a prestação de contas parcial das campanhas, publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrou que os maiores doadores individuais de ambos os candidatos são empresários ligados ao agronegócio.

Propostas de Lula

Lula destacou as realizações dos seus três mandatos e lançou novas metas caso seja reeleito. Na agricultura, o candidato propôs fortalecer o crédito rural por meio do Plano Safra, criar uma política de crédito para pequenos produtores com o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e expandir o Plano Safra da Agricultura Familiar. Também prometeu ampliar o seguro rural e instituir um programa nacional de resiliência climática no campo, com foco em conservação do solo, irrigação, agricultura de precisão e modernização dos sistemas de previsão meteorológica.

Em educação, Lula reiterou a chamada “revolução na educação”, citando a criação de institutos federais e escolas de tempo integral. Anunciou a universalização do ensino integral até o ensino médio e a extensão do programa Pé-de-Meia para universidades públicas a partir de 2027.

Na infraestrutura, o presidente lembrou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e garantiu a continuidade de obras como a transposição do Rio São Francisco, a BR-319, a Ferrovia Transnordestina, o Porto da Manaus Moderno, o VLT de Salvador e o BRT no Rio de Janeiro. Reafirmou ainda a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana.

Economicamente, Lula prometeu manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação e avançar com o Desenrola 3.0, que visa renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs). Defendeu a manutenção do Fundo Amazônia e a agenda da “floresta em pé”.

Propostas de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro concentrou suas propostas na infraestrutura, incluindo a concessão de rodovias e a promessa de zerar as tarifas de pedágio para motociclistas.

Na área social, o candidato afirmou que a Caixa Econômica Federal será o “banco da prosperidade” e o “Itaú das favelas”, com iniciativas para empreendedores das periferias.

Em segurança pública, Flávio anunciou um “grande pacto” com governadores do Centro-Oeste para combater o crime organizado, a redução da maioridade penal para 14 anos e o aumento da pena para roubo de celulares.

Agro como maior fonte de doações

A prestação de contas parcial revelou que empresários do agronegócio lideram as doações a ambos os candidatos. Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, produtora de biodiesel, aportou R$ 500 mil à campanha de Lula e a mesma quantia à de Flávio Bolsonaro. Já Eloi Vitório Marchett, empresário ligado ao setor de soja, fez a maior doação registrada, de R$ 2 milhões ao senador Flávio.

DoadorValor da doação
Erasmo Carlos Battistella (Lula)R$ 500 mil
Erasmo Carlos Battistella (Flávio)R$ 500 mil
Eloi Vitório Marchett (Flávio)R$ 2 milhões

Essas contribuições são relevantes porque o agronegócio responde por cerca de 25 % do PIB brasileiro, influenciando políticas de crédito, exportação e sustentabilidade.

Próximos passos

O prazo final para a prestação de contas completa das campanhas no TSE é 14 de novembro de 2026. Enquanto isso, as propostas apresentadas no debate serão analisadas pelos partidos e pelo Congresso, que ainda deverão deliberar sobre a criação do Ministério da Segurança Pública, prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por Lula.

Os eleitores acompanharão os desdobramentos das propostas e o impacto dos doadores do agronegócio nas decisões do futuro governo.