A Polícia Civil de São Paulo está investigando seis mortes de bebês e crianças atendidas no Hospital e Maternidade Salvalus, da rede Hapvida, localizado na Mooca, zona leste da capital. O inquérito está sob a responsabilidade do 8º Distrito Policial (Brás) e foi aberto depois que as famílias comunicaram os casos às autoridades.

O que está sendo investigado

A Polícia Civil colhe depoimentos de profissionais de saúde, analisa prontuários médicos e verifica possíveis falhas nas condutas assistenciais. Paralelamente, a Vigilância Sanitária e a Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo inspeccionaram a unidade e identificaram 35 óbitos de bebês registrados neste ano. As duas contagens ainda não foram conciliadas.

Números levantados pelas autoridades

IndicadorQuantidade
Mortes sob investigação da Polícia Civil6
Óbitos registrados pela Vigilância Sanitária e Epidemiológica35
Mães que relataram perda de filho à assistente jurídica36

Casos emblemáticos

Entre os registros, destaca‑se o caso de Alice Vitória de Andrade Reis, que morreu em 3 de abril de 2026, quatro dias após completar 1 ano, após seis meses internada na UTI do Salvalus. A mãe, Letícia Ferreira, relatou que a filha foi admitida para troca de sonda de alimentação e contraiu a bactéria KPC durante a internação. A certidão de óbito indica insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa, sepse pulmonar, hidrocefalia e síndrome de Dandy‑Walker.

“Fomos para uma cirurgia simples e achei que iria embora, e nunca mais saí com ela de lá”, declarou Letícia Ferreira.

Outro caso envolve um menino de sete meses que faleceu em 30 de julho de 2026, após três meses internado. A família relatou que o pé da criança evoluiu com necrose depois de um acesso venoso, e a certidão cita choque séptico, sepse e pneumonia.

Também há relato de um bebê de dois meses que morreu em abril de 2026 após parada cardíaca, com alegações de que dois fisioterapeutas atendiam a criança sem máscara e sem luvas e que o aparelho de reanimação não estava conectado corretamente.

Reações e posicionamentos

A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que presta apoio a famílias de vítimas, informou que mantém contato com 36 mães que perderam filhos no hospital ao longo de aproximadamente nove meses, oferecendo assistência jurídica a três. Ela ressaltou a necessidade de apurar se há um padrão nas mortes.

A empresa destacou que as condutas terapêuticas foram individualizadas e que, até o momento, não foi identificada uma origem infecciosa comum.

Os Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren) e de Medicina (Cremesp) também foram acionados para analisar os procedimentos realizados nas unidades afetadas.

Próximos passos

A investigação policial segue coletando depoimentos e examinando prontuários, enquanto a Vigilância Sanitária continua a monitorar a situação. As famílias apresentaram boletins de ocorrência e esperam respostas definitivas sobre as causas das mortes. Nenhuma das hipóteses foi confirmada oficialmente até o momento.