O salto de R$ 1,2 bilhão do governo dos Estados Unidos pode acelerar a entrada da Serra Verde na paisagem de alta tecnologia brasileira.

O que está acontecendo

No cenário quente de dependência de materiais críticos, a Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras em Goiás, recebeu um aporte adicional de R$ 1,2 bilhão do governo dos Estados Unidos. Esse valor coloca a empresa nove vezes à frente do valor original acordado, elevando o investimento total para R$ 3,9 bilhões quando o Departamento de Guerra confirma a régua necessária para a compra. A operação avança junto à EUA, que já havia aportado US$ 250 milhões (≈R$ 1,2 bi) na fundação da Serra Verde.

Por que isso importa

As terras raras são componentes essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, eletrólitos de baterias e lentes de telecomunicações. O governo dos EUA tem buscado reduzir a dependência de China nesse segmento, e a Serra Verde pode ser a ponte para esse objetivo. Ao dobrar o investimento, a empresa terá acesso a novas tecnologias de mineração e processamento, potencializando a produção de material de alta qualidade.

Audiência pública em Minas Gerais

Paralelamente, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais convocou uma audiência pública sobre o Centro de Tecnologia em Terras Raras. A sessão tem o propósito de discutir os impactos sociais e ambientais de parcerias internacionais e a viabilidade de ampliar a produção de terras raras no Brasil.

Perspectivas

Se a transação for concluída na segunda‑feira, a Serra Verde se tornará a primeira mineradora de terras raras com controle parcial de capital dos EUA na América do Sul. O próximo passo será a aprovação regulatória final e o início dos trabalhos de expansão.

O que vem depois

O governo brasileiro e a empresa norte‑americana já planejam um plano de ação para garantir o uso sustentável do recurso, junto com a criação de um centro de pesquisa e ensino sobre materiais críticos.

--- A reportagem acompanha diretamente o roteiro de aprovação e a agenda de audiências públicas, reforçando o posicionamento do Brasil e da iniciativa americana na luta por autonomia estratégica.