Mulheres da etnia Yanomami divulgaram, na manhã de 8 de outubro de 2026, um manifesto dirigido ao deputado federal Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento reclama a falta de ações efetivas para proteger a comunidade e seu território. No dia seguinte, a assessoria da Presidência informou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu obter o direito de resposta a um projeto de lei (PL) que trazia dados sobre mortes na Terra Indígena Yanomami. Em 28 de setembro de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) obteve bloqueio judicial de até R$ 146 milhões de bens de empresas acusadas de participar de garimpo ilegal na mesma região.

"Não queremos voltar a chorar"

Manifesto das mulheres Yanomami contra Flávio Bolsonaro

Segundo reportagem da Repórter Brasil, o manifesto foi elaborado por um grupo de mulheres Yanomami que exigem atenção do deputado Flávio Bolsonaro para questões de saúde, segurança e assistência nas comunidades. O texto foi divulgado publicamente e traz como slogan a frase acima, que expressa o medo de reviver traumas ligados à violência e à exploração da terra indígena. As autoras cobram medidas concretas para impedir novas invasões de garimpeiros e para garantir acesso a serviços básicos.

Governo Lula não obtém direito de resposta ao PL

A VEJA informou que a tentativa do governo federal de exercer o direito de resposta, mecanismo constitucional que permite ao titular do Poder Executivo contestar informações que considere incorretas ou ofensivas, foi indeferida. O PL em questão continha estatísticas sobre óbitos registrados na Terra Indígena Yanomami e buscava trazer à discussão a gravidade da situação na região. Conforme a matéria, o governo Lula não conseguiu apresentar seu posicionamento oficial sobre os dados divulgados.

MPF bloqueia ativos de empresas de garimpo ilegal

De acordo com comunicado oficial do Ministério Público Federal, foram bloqueados ativos financeiros de empresas suspeitas de operar garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, localizada no estado de Roraima. O bloqueio pode alcançar até R$ 146 milhões, com o objetivo de impedir a continuidade de atividades que violam a legislação ambiental e os direitos dos povos indígenas. O MPF destacou que a medida visa coibir a extração irregular de ouro, que gera desmatamento, contaminação de rios por mercúrio e conflitos violentos.

Contexto da situação na Terra Yanomami

A Terra Indígena Yanomami é uma das maiores áreas protegidas do país, habitada por um povo que depende da floresta para sua sobrevivência cultural e material. Nos últimos anos, o território tem sido alvo de invasões de garimpeiros ilegais, prática que provoca desmatamento, poluição e confrontos com as comunidades. A presença de garimpo também tem sido apontada como fator contribuinte para o aumento de mortes na região, motivo pelo qual o PL mencionado buscava apresentar dados sobre o tema.