Adolfo Sachsida, economista, advogado e servidor de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), está sendo apontado como o principal nome para o Ministério da Fazenda caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições presidenciais em 25 de outubro de 2026.

Quem é Adolfo Sachsida

Natural de Londrina, onde nasceu em 1972, Sachsida é formado em ciências econômicas e em Direito, doutor em economia pela UnB e com pós-doutorado na Universidade do Alabama. É servidor de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde 1997.

Trajetória no governo

Comandou a Secretaria de Política Econômica de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022, ao lado do então ministro Paulo Guedes. Em maio de 2022, com a pressão sobre os combustíveis no auge, assumiu o Ministério de Minas e Energia, no lugar de Bento Albuquerque. Foi um dos primeiros apoiadores de Jair Bolsonaro na campanha de 2018 e, após a vitória, tornou-se um dos advogados de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Por que o nome surge agora

É visto como uma escolha confiável pela família Bolsonaro, com experiência técnica. Segundo seis pessoas ouvidas pela Folha, Jair Bolsonaro o vê como favorito para a pasta da Fazenda. Em 18 de agosto, entrou formalmente na equipe econômica da campanha de Flávio, coordenando o núcleo econômico, e mantém laço próximo com Carlos Bolsonaro, outro membro da família e que se elegeu senador pelo PL de Santa Catarina. Na última terça-feira (13), Flávio visitou o pai pela primeira vez desde julho e, nesta quinta-feira (15), o senador teve um segundo encontro com o ex-presidente.

Propostas econômicas de Sachsida

Defende um programa econômico focado em consolidação fiscal, aumento da produtividade e inclusão social, propondo a redução de despesas em vez da criação de novos tributos. Em evento na Casa Lide afirmou: "Precisamos de um ajuste feito via controle de gastos, não dá para criar mais novos tributos. Nosso processo de consolidação fiscal é através de redução de gastos. Em um ano e meio vamos resolver o lado fiscal da economia. Não é mágica, é conhecimento sólido". Também declarou que um eventual governo pretende preservar o Bolsa Família e o BPC e que não vai acontecer privatizações no Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras.

Dados econômicos

Em 90% dos casos, aumento de preço é culpa do governo. As despesas públicas passaram de 19,4% do PIB em 2018 para 18% em 2022, e a dívida pública está acima de 82% do PIB, exigindo reequilíbrio que ele estima em cerca de um ano e meio.

Concorrência e reação do mercado

Além de Sachsida, outros nomes citados como possíveis candidatos ao Ministério da Fazenda são Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath e Alexandre Bettamio. Sachsida não figura no topo da lista de preferência do mercado financeiro, mas também não chega a ser rejeitado.

Próximos passos

Até o momento, Sachsida e a campanha de Flávio não comentaram oficialmente sobre a indicação.

Em números

IndicadorValor
Gastos públicos 201819,4 % do PIB
Gastos públicos 202218 % do PIB
Dívida pública 2026> 82 % do PIB
Prazo estimado para reequilíbrio fiscal1,5 ano