Em entrevista ao debate na TV Bandeirantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o candidato Flávio Bolsonaro sobre a adoção do modelo econômico de Javier Milei, destacando que 32,3 % da população argentina vive abaixo da linha da pobreza e que o desemprego alcançou 7,9 % no primeiro semestre de 2026. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) e do monitor de empresas da Fundar corroboram a deterioração profunda na economia do país vizinho.

Pobreza e desemprego

Segundo o Indec, 32,3 % da população argentina ficou em situação de pobreza na primeira metade de 2026, um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025. No mesmo período, a taxa de desemprego subiu para 7,9 % da força de trabalho.

Fechamento de empresas e perda de empregos formais

Quatorze dos dezoito setores analisados apresentaram queda no número de companhias, afetando 23 das 24 províncias argentinas, com exceção de Neuquén, onde a produção de gás natural impulsionou as exportações. Paralelamente, foram encerrados 245 mil postos formais de emprego em 31 meses, incluindo a perda de 245,6 mil empregos privados entre novembro 2023 e junho 2024.

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6 % no segundo trimestre de 2026, e o Indicador Mensal de Atividade Econômica (Emae) registrou queda de 2,9 % em julho. A inflação, que havia alcançado 289 % ao ano em abril 2024, recuou para 33,5 % em agosto 2024. O professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV‑SP), Paulo Gala, alertou que a moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, mas detona o setor industrial.

Reação política

Durante o debate, Lula usou os números argentinos para criticar a proposta de adoção do modelo de Milei no Brasil.

Em números

IndicadorValor
População em pobreza32,3 %
Taxa de desemprego7,9 %
Empresas fechadas31,3 mil (6,1 %)
Empregos formais perdidos245 mil