O corregedor‑geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, aceitou nesta quinta‑feira (5) a ação apresentada pelo Partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice‑presidente Geraldo Alckmin (PSB), por suposto abuso de poder político nas eleições de 2026. Os dois foram notificados e terão cinco dias para apresentar defesa, após o que o ministro decidirá se encerra o processo ou dá continuidade à investigação.

A ação, conhecida como Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), acusa a edição de 35 atos normativos, medidas provisórias e decretos, entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026, que teriam criado ou ampliado benefícios sociais e econômicos. Entre os exemplos citados está o reajuste de 15,04 % do Bolsa Família, a ampliação dos subsídios aos combustíveis, o programa de renegociação de dívidas Desenrola 3.0, a proibição das apostas on‑line e o fim da chamada taxa das "blusinhas".

"Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF para se manter no poder."

O Novo argumenta que a concentração dessas iniciativas, a proximidade da votação (16 de agosto a 16 de outubro) e o alcance nacional das políticas indicam uso da estrutura pública para favorecer a reeleição da chapa. Segundo a legenda, o conjunto das medidas teria um impacto econômico estimado em R$ 73 bilhões, valor que equivale à soma das medidas de natureza semelhante editadas nos três anos anteriores: 17 em 2023, 4 em 2024 e 14 em 2025.

Além desta AIJE, o TSE já recebeu 13 outras ações contra a chapa Lula‑Alckmin e, recentemente, admitiu também uma ação de Flávio Bolsonaro (PL) por suposto abuso de estrutura de comunicação pública em benefício da candidatura de Lula.

Em números

IndicadorValor
Medidas questionadas35
Impacto estimado das medidasR$ 73 bilhões
Créditos extraordinários relacionados13
Valor total dos créditosR$ 99,7 bilhões
Ações já apresentadas contra a chapa13
Total de ações no TSE nesta reta final> 800

O volume de processos na reta final do segundo turno alcançou recorde, com mais de 800 ações, número que duplica os 325 registrados na mesma fase em 2022 e os 388 de 2018. As AIJEs costumam ser mais demoradas porque podem envolver coleta de provas, audição de testemunhas e perícias.

"Não vou deixar de dar benefício porque tem eleição", afirmou. O presidente atribuiu o reajuste do Bolsa Família à disponibilidade de espaço fiscal.

A defesa da campanha sustenta que o Bolsa Família se enquadra na exceção legal para programas sociais já autorizados em lei, sem criar novo benefício ou ampliar o público atendido, e que os recursos foram alocados de acordo com normas orçamentárias anteriores ao período eleitoral.

O pedido do Novo inclui a cassação da chapa reeleita e a declaração de inelegibilidade de Lula e Alckmin por oito anos, medida que impediria ambos de concorrer a cargos públicos nesse período.

A decisão final do corregedor‑geral ainda está pendente. Enquanto isso, a ação acrescenta mais um capítulo à disputa judicial entre as legendas, que já inclui diversas contestações sobre uso de redes sociais, mensagens no WhatsApp e outras estratégias de campanha.