Na madrugada desta sexta‑feira, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, e pelos ferimentos provocados em Marcus Vinícius Machado Rocha, passageiro no Porsche 911.

Sentença e punições

A decisão foi proferida pelo júri popular do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Além da pena de reclusão, a Justiça proibiu Sastre de conduzir quaisquer veículos automotores e determinou que ele não poderá recorrer em liberdade. A namorada do empresário, Giovanna, foi multada em dez salários‑mínimos por não ter comparecido à audiência.

ItemDetalhe
Pena de prisão17 anos, 1 mês e 10 dias
Velocidade do Porsche136 km/h (limite 50 km/h)
Multa à namorada10 salários‑mínimos

"Tenho vergonha e arrependimento, jamais fui indiferente às consequências dos fatos. Sofro todos os dias, tenho consciência do que aconteceu", declarou Fernando Sastre durante a leitura da sentença.

Como ocorreu o acidente

O choque aconteceu em 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, zona leste (Tatuapé). Sastre conduzia o Porsche a aproximadamente 136 km/h, muito acima dos 50 km/h permitidos naquele trecho, e colidiu na traseira de um Renault Sandero dirigido por Ornaldo da Silva Viana. O motorista de aplicativo morreu; o passageiro do Porsche, Marcus Vinícius Machado Rocha, ficou gravemente ferido.

Defesa e argumentos apresentados

O advogado de defesa, Eugênio Malavasi, sustentou duas teses principais: a desclassificação do crime de homicídio doloso para homicídio culposo e, de forma subsidiária, o afastamento da qualificadora de perigo comum. A defesa também tentou atribuir a causa ao suposto defeito mecânico do Porsche, porém o júri rejeitou ambas as teses.

Malavasi afirmou que a decisão dos jurados contrariou as provas apresentadas e que já havia protocolado recurso de apelação, pretendendo levar a discussão ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ‑SP).

Reações das partes envolvidas

Marcus Vinícius Machado Rocha, amigo de Sastre e passageiro no carro, confirmou que o empresário havia consumido álcool antes de dirigir e declarou que vê a condenação como "justiça".

Lucas, filho de Ornaldo da Silva Viana, comemorou a decisão, dizendo que a sentença representava o reconhecimento da luta de sua família por justiça.

A policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que liberou Sastre do local sem teste de bafômetro, disse ter sido enganada pela mãe do empresário, que alegou necessidade de levar o filho ao hospital por um sangramento no nariz. Daisy explicou que a equipe não dispunha de etilômetro naquele momento e que não recolheu a carteira de habilitação.

Próximos passos da Justiça

Com a condenação confirmada, Sastre permanecerá preso até que o recurso de apelação seja julgado pelo TJ‑SP. Caso o tribunal mantenha a decisão, ele cumprirá a pena em regime inicialmente fechado, com possibilidade de progressão de regime conforme a legislação penal. A inabilitação para conduzir veículos permanecerá em vigor.