Flávio Bolsonaro, senador pelo Partido Liberal (PL) e candidato à Presidência da República, afirmou na sexta‑feira (16) que buscou US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, com o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme biográfico “Dark Horse” sobre o ex‑presidente Jair Bolsonaro. O senador declarou que o aporte seria totalmente privado e sem vínculo com recursos públicos.

"Um filme de um patrocínio privado, para um filme privado sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para fazer um filme do Jair Bolsonaro."

O pedido e a origem dos recursos

Áudios e mensagens de WhatsApp foram divulgados pelo site Intercept Brasil e confirmados pelo Valor Econômico. Neles, Flávio Bolsonaro solicita apoio financeiro a Vorcaro e apresenta comprovantes de pagamento. As investigações revelaram que foram transferidos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, de um total planejado de US$ 23,9 milhões. Os valores passaram pela empresa Entre Investimentos e foram enviados ao fundo Havengate Development Fund, cujo representante legal é o advogado Paulo Calixto, também defensor de Eduardo Bolsonaro.

Investigação da Polícia Federal

Um documento entregue à Polícia Federal indica que a Storm Empreendimentos e Participações, empresa da qual Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é sócio‑administrador, foi apontada como investidora em um contrato de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar o longa‑metragem. O acordo, emitido pela Calixsan Capital Management, foi endereçado à Entre Investimentos e Participações, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior. A investigação apontou que a Entre transferiu US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate Development Fund LP.

Além disso, a Super Empreendimentos e Participações enviou R$ 12 milhões à Entre Investimentos, que converteu R$ 11,7 milhões em aproximadamente US$ 2 milhões para a remessa ao fundo americano.

Defesa de Flávio Bolsonaro

Em entrevista à TV Globo, o senador reforçou que os recursos recebidos de Vorcaro foram “privados” e que não há nenhuma contrapartida pública. Segundo a produtora Go Up Entertainment, o custo total da obra chegou a US$ 13 milhões, cerca de R$ 75 milhões, e não utilizou dinheiro público.

Implicações políticas

O tema ganhou destaque no primeiro bloco do debate presidencial na Band, quando o presidente Luiz Inácio Lula (PT) questionou Flávio Bolsonaro sobre a origem dos recursos. A Polícia Federal, que já havia iniciado inquérito em julho, solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, prorrogação de 90 dias para aprofundar a apuração sobre a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados.

Em números

ItemEm dólaresEm reais
Contrato total para o filmeUS$ 24 miR$ 134 mi
Valor efetivamente transferido (via Vorcaro)US$ 10,6 miR$ 61 mi
Custo final da produçãoUS$ 13 miR$ 75 mi