A Justiça do Rio de Janeiro, por meio da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, decretou nesta segunda-feira (19/10/2026) o encerramento da recuperação judicial da Americanas (código AMER3) e de suas subsidiárias B2W Digital Lux S.À.R.L., JSM Global S.À.R.L. e ST Importações.

Detalhes da decisão judicial

A sentença reconheceu o cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação judicial, cujo vencimento pode ocorrer até dois anos após a sua homologação. A medida contou com manifestações favoráveis da administração judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, permanecendo, porém, sujeita à apresentação de recursos.

ItemDetalhe
Vara4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do RJ
Subsidiárias incluídasB2W Digital Lux, JSM Global, ST Importações

"A decisão é positiva para nós e para o mercado como um todo", afirmou o presidente-executivo Fernando Soares.

Reação do mercado

Em comunicado ao mercado, a Americanas classificou o encerramento como um "marco importante" e afirmou que a medida abre uma nova fase para a companhia. As ações fecharam o pregão em alta de quase 7%, cotadas a R$5,97.

IndicadorValor
Preço da ação (AMER3)R$5,97
Alta no pregão+7%

Declarações da empresa

A empresa disse que, com a conclusão da recuperação, segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência dos clientes. O presidente-executivo Fernando Soares destacou que o fim da recuperação "destrava" linhas de crédito antes restritas, permitindo novos negócios.

Contexto da crise e da recuperação

A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, poucos dias depois de anunciar um rombo contábil de R$20 bilhões, valor aproximadamente duas vezes maior que seu valor de mercado na época. Em poucas semanas, as dívidas chegaram a cerca de R$40 bilhões, forçando a empresa a buscar a proteção judicial. O plano de recuperação foi homologado em fevereiro de 2024, prevendo a reestruturação da dívida, o fechamento de lojas e a venda de ativos.

Próximos passos e perspectivas

Com o fim da recuperação, a empresa pretende retomar a expansão seletiva de lojas. O presidente-executivo Soares mencionou a inauguração de cinco ou seis novas unidades ao longo de 2026, além de reinaugurações de lojas já existentes. A companhia também sinalizou a continuação da venda de ativos negociados nos últimos trimestres.

A Americanas afirmou estar preparada para a Black Friday e o Natal, citando a implementação de novos aceleradores de vendas para esses períodos críticos. A empresa vem reduzindo o tamanho de algumas unidades, inclusive transformando lojas de dois andares em operações de um único piso.

Impacto para investidores e consumidores

A decisão judicial elimina restrições de crédito que limitavam a capacidade da Americanas de ampliar limites com fornecedores e captar recursos.