O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta quarta-feira (21), suas alegações finais e pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria‑prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Em caso de condenação, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado.

O que consta nas alegações do MP

Renato Cariani é dono da empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo, e é acusado de desviar, de forma fraudulenta, insumos químicos como acetona, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, éter etílico, fenacetina e manitol, supostamente empregados na produção de toneladas de crack e cocaína. Segundo o Gaeco, por 59 vezes a empresa simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os produtos, criando notas fiscais falsas para encobrir o desvio. Mensagens extraídas do celular de Cariani indicam que ele mantinha uma relação muito próxima com o policial civil Anadré Dziuba, recebendo informações sobre diligências e sugerindo empresas a serem fiscalizadas.

Penas e cálculo da condenação

O Ministério Público calcula que, caso a Justiça aceite integralmente o pedido, cada réu – Cariani, Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira – poderá receber uma pena de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas. O cálculo considera a soma de 59 crimes de tráfico de insumos e 59 crimes de lavagem de dinheiro, com aumento de dois terços previsto na Súmula 659 do STJ por continuidade delitiva.

CrimeQuantidade
Tráfico de insumos químicos59
Lavagem de dinheiro59

Outros envolvidos e acusações complementares

Além de Cariani, a promotoria pede condenação de Fábio Spínola Mota, apontado como elo entre a Anidrol e os compradores de crack e cocaína, e de Rodrigo Gomes Pereira, que teria realizado depósitos em espécie e operações para dar aparência de licitude ao dinheiro obtido com o tráfico. O MP também pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa, e de Andréia Domingues Ferreira, citadas nas investigações.

Defesa de Renato Cariani

Próximos passos

O juiz da 3ª Vara Criminal de Diadema determinou que a defesa de Cariani terá 30 dias para apresentar nova defesa. Após esse prazo, o processo seguirá para julgamento, onde o juiz avaliará as provas de desvio de insumos, as supostas comunicações com o policial e os demais documentos apresentados pelo MP. Caso a sentença seja favorável ao Ministério Público, a pena será cumprida em regime fechado, observando o teto máximo de 40 anos previsto para a soma das penas, mesmo que o cálculo teórico chegue a 51 anos.

O caso volta a chamar atenção nacional porque Cariani, influenciador fitness com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, já havia sido alvo da Operação Hinsberg, em dezembro de 2023, que desmantelou um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico.