O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, convocou neste sábado (31) consultas de emergência com representantes dos partidos políticos após a juíza Anna Korwin-Piotrowska suspender o presidente do Tribunal Constitucional, Bogdan Święczkowski, e a polícia cercar o edifício em Varsóvia.

Crise no Tribunal Constitucional

O Tribunal Constitucional tem sido palco de confronto entre o governo de centro liderado por Donald Tusk e a direita nacionalista que nomeou a maioria dos seus magistrados. O governo Tusk tenta há semanas afastar os juízes do tribunal nomeados pelo governo anterior, do Partido Lei e Justiça (PiS). Na sexta‑feira (30), a magistrada Anna Korwin-Piotrowska anunciou a suspensão de Bogdan Święczkowski, alegando a necessidade de restaurar o Estado de Direito. A medida provocou a mobilização de dezenas de policiais antimotim e o cerco ao prédio, impedindo o acesso de apoiadores do PiS que protestavam contra a decisão.

Retorno inesperado do presidente

Nawrocki interrompeu abruptamente uma viagem ao Senegal e retornou às pressas a Varsóvia. No Palácio Presidencial, leu comunicado em que declarou que a situação representava “ameaça à segurança interna”.

Diante da ameaça à segurança interna da República da Polônia, convoco para hoje consultas de emergência com a participação de representantes das forças parlamentares, a fim de estabilizar a situação política e restabelecer a ordem constitucional.

Ele também exigiu a retirada das forças policiais do entorno do tribunal, qualificando a mobilização como “violação da ordem constitucional”.

Reação de autoridades

Donald Tusk, primeiro‑ministro, respondeu nas redes sociais X afirmando que “Restabelecer o Estado de Direito é nosso dever”. O ministro da Justiça informou que solicitou o levantamento da imunidade de Święczkowski e de seu vice‑presidente Bartłomiej Sochanski.

O embaixador dos Estados Unidos na Polônia, Tom Rose, escreveu no X pedindo moderação e alertando para que nenhuma medida provocasse violência ou nova escalada.

Protestos e declarações nas ruas

A conta oficial do Tribunal no X denunciou um “golpe de Estado” e afirmou que Święczkowski continua no exercício de suas funções, contestando a validade da suspensão. Manifestantes do PiS gritaram “Tusk traidor” enquanto tentavam ultrapassar as barreiras de segurança; a polícia informou a detenção de três pessoas.

O manifestante Tomasz Zaleski, citado pela AFP, afirmou que Tusk está atropelando nossos direitos constitucionais.

Análise de especialistas

A cientista política Ewa Marciniak, da Universidade de Varsóvia, explicou que a proximidade das eleições legislativas previstas para novembro de 2027 coloca a disputa institucional em modo de campanha, aumentando o risco de escalada política.

Próximos passos

As consultas de emergência devem reunir representantes dos partidos parlamentares para definir estratégias que evitem a ruptura institucional. Enquanto isso, a situação permanece tensa, com a polícia ainda presente no entorno do tribunal e a sociedade civil acompanhando o desenrolar dos fatos.

Ficha dos principais atores

ItemDetalhe
Presidente da PolôniaKarol Nawrocki, nacionalista, convocou consultas de emergência
Primeiro‑ministroDonald Tusk, centro, busca remover juízes nomeados pelo PiS
Presidente do Tribunal (suspenso)Bogdan Święczkowski, magistrado suspenso
Juíza que suspendeu o presidenteAnna Korwin-Piotrowska, assumiu interinamente o cargo
Primeiro presidente do TribunalZbigniew Kapiński, consultado por Nawrocki, não reconhece as ações como legais
Embaixador dos EUA na PolôniaTom Rose, pediu moderação nas redes sociais
Manifestante citadoTomasz Zaleski, afirmou que Tusk está atropelando direitos constitucionais